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O tempo não é propriedade exclusiva de uma ciência. Sua existência não permite ser enquadrado como um objeto que pode ser manipulado por um sujeito em condições atemporais. Ele é, na perspectiva da literatura, o acampamento vital de todo ser vivo. Somos seres lançados na temporalidade, habitantes de um tensionamento entre o passado que já não é mais em muitos modos e um futuro que nos ocupa como possibilidade e incerteza. Ambos constituem memórias do que vivenciamos e do que desejamos, e que passam a fundamentar as interpretações do presente. A memória não faz o tempo parar, mas resiste ao esquecimento e ao desconhecido do porvir. E narrar é conferir permanência à habitação coletiva do tempo na transitoriedade individual. Quem lê, habita o mundo dos outros. Quem escreve, por sua vez, cria mundos possíveis para os outros. Uma finitude compartilhada pelas narrativas não gera imortalidade, mas cria sentidos para o que é humanamente experienciado. A literatura é kairológica. Experimentá-la é uma forma de resistir ao tempo cronológico como determinante da vida em sociedade. Quem a vive não envelhece, nem se torna solitário(a). Nela não há relógios que quantificam a totalidade indefinida de instantes que conduzem para o fim derradeiro de uma pessoa, mas permite saborear cada instante vivido como a grande riqueza da sabedoria do bem comum.
Prof. Dr. Adair Adams
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS)
EDITORIAL
1. MEMÓRIAS LITERÁRIAS
2. A LITERATURA POR TRÁS DE NOSSAS MEMÓRIAS
JOSEFINA LEMOS PEREIRA
SANDOVAL DUARTE DOS SANTOS
MARIA CELESTE BOTELHO CANTÃO
FLORACI RODRIGUES DA FONSECA
ILDA SANTANA DE ARAÚJO
EDNÓLIA SILVA MACHADO
JOÃO BATISTA DA SILVA
IVANETE ALMEIDA DE OLIVEIRA
NÁDIA LÚCIA SALOMÃO ALMEIDA
LUCIANO PESSOA DE ANDRADE LIRA
3. MEMÓRIAS DE UMA PROFESSORA
4. CLUBE DOS 60: LEMBRANÇAS E HISTÓRIAS DE UM TEMPO QUE NÃO SE APAGA